' MARIA DE BUENOS AIRES ' - Ópera-tango de Astor Piazzolla

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09 Outubro 2021
Horário:

21h00

Preço:

7,00 euros

FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA

Bragança ClassicFest

 

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MARIA DE BUENOS AIRES - Ópera-tango de Astor Piazzolla

 

Ana Karina Rossi - Maria de Buenos Aires

Ana Karina Rossi é uma das mais prestigiadas intérpretes do repertório de tango da actualidade. Natural de Montevideu, Ana Karina estudou na sua cidade natal, prosseguindo estudos na Academia Nacional de Tango de Buenos Aires e, mais tarde, em Londres. A confirmação do seu talento veio com a colaboração artística, longa de dez anos, que manteve com o poeta Horacio Ferrer (1933-2014), o autor do libreto de ‘Maria de Buenos Aires’, que de Ana Karina disse ser “um coração que canta” e lhe confiou a estreia de várias obras suas.
Em paralelo com a sua carreira performativa, Ana Karina tem-se envolvido na produção e direcção artística de projectos que juntam música, dança e imagem. No plano pedagógico, exerce com regularidade actividades pedagógicas em masterclasses, festivais e estágios artísticos, mormente em França (reside em Paris desde 2012).

 

Daniel Bonilla-Torres - El Duende

Natural de Porto Rico, Daniel Bonilla-Torres estudou fagote na sua ilha natal, formando-se depois como cantor lirico na Manhattan School of Music. Nos anos seguintes, desenvolve a sua carreira nos EUA, mudando-se em 1976 para a Europa, onde integrou os ensembles das operas de Stuttgart e de Zurique e apresentando-se como convidado em teatros por toda a Europa, Russia e Japao. Alem do canto lirico, Daniel enveredaria também pela representação (em teatro e cinema) e foi desse modo que se aproximou do papel de Duende em ‘Maria de Buenos Aires’, no qual se estreou no Teatro de Kiel (Alemanha), em 1999, e que revisitou inúmeras vezes e em numerosos países desde então. Também se experimentou como realizador de diversos projectos em torno da música tradicional argentina. Desde 2008, Daniel e director artístico e de produção da companhia de teatro Komitee Komplett, em Estugarda.

 

Kyril Zlontnikov - Violoncelo

Natural de Minsk (Bielorussia), Kyril Zlotnikov emigrou com a família para Israel, ali prosseguindo e concluindo os seus estudos musicais. Integra o prestigiado Jerusalem String Quartet desde a sua fundação, em 1996, agrupamento com o qual desenvolve uma intensa actividade concertistica por temporadas e festivais no mundo inteiro.
Tocou como solista com grandes orquestras, como a Filarmonica de Israel, as Sinfonicas de Jerusalem e de Ludwigsburg, a Orquestra Gulbenkian, a West-Eastern Divan Orchestra, a Jerusalem Camerata, em colaboração com maestros aclamados, como Daniel Barenboim, Zubin Mehta, Pierre Boulez, Lawrence Foster, Asher Fish e Simone Young.
Kyril Zlotnikov foi durante vários anos violoncelo principal na West-Eastern Divan Orchestra, sob a direção do maestro Daniel Barenboim. Participou também em projetos especiais e digressões com a orquestra Staatskapelle de Berlim, como violoncelo principal. Alem da discografia enquanto membro do Quarteto de Jerusalem, Zlotnikov gravou para a EMI a integral dos trios com piano de Mozart, com Nikolaj Znaider e Daniel Barenboim (2006). Kyril Zlotnikov toca um violoncelo do ‘luthier’ italiano G. B. Ruggieri, de 1710, por cedência de um colecionador privado.

 

Hector del Curto - Bandoneón

Elogiado pelo The New York Times como um “magnífico músico”, a carreira do bandoneonista argentino Héctor Del Curto, que dura há mais de 25 anos, abrange estilos como Tango Tradicional, Novo Tango, Jazz, Clássica/ Erudita e World Music.
Colaborou com os músicos mais conceituados de diversos géneros, como as lendas do Tango Astor Piazzolla e Osvaldo Pugliese, o gigante do jazz latino Paquito D’Rivera e com orquestras de prestígio como a do Metropolitan Opera de Nova Iorque e as Sinfónicas de Washington e de Buenos Aires.
Nascido numa família de bandoneonistas, Héctor Del Curto foi apresentado ao mundo do Tango e do bandoneón pelo seu avô, Héctor Cristobal. Com 17 anos, ganhou o título de “Melhor Bandoneonista até 25 anos”, na Argentina, e foi convidado a juntar-se à orquestra de Osvaldo Pugliese, consagrado como o Último Gigante do Tango. Como director musical, dirigiu o célebre espectáculo Forever Tango, na Broadway, e fundou a Eternal Tango Orchestra (actualmente Héctor Del Curto Tango Orchestra). Como músico dedicado ao ensino, preservação e divulgação do tango, fundou o Stowe Tango Music Festival, o primeiro festival de tango nos Estados Unidos, notável tanto pelos seus ciclos de concertos originais como pelo seu nível de formação musical.
Recentemente produziu e lançou o seu segundo álbum, Eternal Piazzolla, com o seu aclamado
quinteto. Héctor Del Curto participou em numerosas gravações com artistas como Osvaldo Pugliese e Astor Piazzolla em Finally Together (Luncho), Pablo Ziegler, em Asphalto, Quintet for the New Tango (BMG), Paquito D’Rivera em Funk Tango, Jazz Clazz e Panamerica Suite, com Plácido Domingo em Encanto del Mar (Sony Classical) e com Shakira em Laundry Service.

 

Karen Gomyo - Violino

Uma das violinistas mais requisitadas da actualidade, Karen Gomyo nasceu em Tóquio e foi com 2 anos para Montreal. Aos 11 anos foi estudar para a Juilliard School de Nova Iorque, dali saindo para a Universidade de Indiana, vindo a diplomar-se pelo prestigiado New England Conservatory de Boston (classe de Donald Weilerstein).
Desde então empreendeu uma carreira que já a levou a tocar com todas as principais orquestras da América do Norte, assim como com algumas das grandes europeias. O reforço da sua ligação com a Europa é uma das razões por que se fixou em Berlim.
Em música de câmara, colaborou com músicos como Heinrich Schiff, Leif Ove Andsnes, Emmanuel Pahud, Alisa Weilerstein ou Paul Meyer. O seu gosto por Piazzolla vem desde que em criança tocava a sua peça ‘Mumuki’. Há cerca de dez anos deu-se o encontro de Karen com Pablo Ziegler (o pianista de Piazzolla) e o seu ensemble, com concertos em conjunto desde então. Para alguns entendidos, a reeditar-se um Quinteto ‘all-star’ de Piazzolla, a violinista seria Karen! Ela tem no seu repertório a transcrição para violino e orquestra de cordas das ‘4 Estações de Buenos Aires’. Outros ‘tangueros’ com que toca são os bandoneonistas Héctor Del Curto e JP Jofre.
Além do repertório canónico, Karen interessa- -se pela nova música, tendo já dado em estreia absoluta ou estreia americana obras de Matthias Pintscher, Peteris Vasks e Samuel Adams e ajudado à redescoberta do compositor sueco Bo Linde. A sua discografia inclui a gravação do Concerto para violino de Linde (Naxos) e um recital com o guitarrista Ismo Eskelinen (“Carnival”, ed. BIS/2019). Karen toca desde 2001 o famoso violino Stradivarius ‘Aurora ex-Foulis’, de 1703.

 

Rubén Peloni - Voz

O tenor argentino Rubén Peloni começou a estudar canto ainda enquanto estudante de Arquitectura, iniciando em pouco tempo o seu percurso no mundo do tango. Prosseguiu estudos vocais no Conservatório Pergolesi de Jesi (Itália), mas depressa integrou um quarteto de tangos e milongas, ‘El esquinazo’ (bandoneon, guitarra, piano e voz), com o qual se apresentou e se afirmou por toda a Itália e internacionalmente. Depois disso, veio a colaborar com muitos dos principais ensembles tangueros e dos mais importantes músicos do género, incluindo os bandoneonistas Marcelo Nisinman, Juanjo Mosalini e Dario Polonara, ou os pianistas Hugo Aisemberg e Luis Bacalov, com o qual também se apresenta em dueto. Apresentou-se enquanto solista com a Orquestra da Sabóia no espectáculo ‘Tango, esse pensamento triste que se dança’. Obras como a “Misa Criolla”, de Ariel Ramírez, ou “Maria de Buenos Aires” são presença regular na sua agenda de concertos. A sua discografia, integralmente dedicada ao tango, conta com uma dezena de títulos.

 

 

 

Programa:

1. Alevare
Meia noite em Buenos Aires. O Duende, espírito da noite de Buenos Aires, evoca a imagem e esconjura a voz de Maria de Buenos Aires.

2. Tema de María
A voz de Maria acode à convocatória do Duende.

3. Balada para un organito loco
O Duende pinta a memória de Maria, auxiliado pela voz de um Payador (“trovador argentino”) e pelas vozes dos Homens que voltaram do mistério.

4. Yo soy María

5. Milonga Carriguera
Presente a sua memória e esconjurada a imagem de Maria, começa o relato da sua vida. Um menino de esquina chamado Porteño Gorrión con Sueño (“Pardal de Buenos Aires com Sonho”) descreve a Menina Maria como magnetizada pela força que a empurra para longe dele. Descreve, então, quando ela o deixa e o abandona, e ele a predestina para ouvir, para sempre, a sua desprezada voz masculina na voz de todos os homens.

6. Fuga y mistério
Silenciosa e alucinada, Maria deixa o seu bairro e atravessa Buenos Aires em direção ao centro da cidade e à sua noite mais profunda.

7. Poema valseado
Acanalhada pelo Bandoneón, como nas antigas lendas do tango, Maria canta a sua conversão à vida escura.

8. Tocata rea
Preso na própria história que vem cantando, o Duende procura o Bandoneón, desafia-o e bate-se em duelo com ele.

9. Miserere canyengue
Ferida de bala que o Bandoneón tem no seu alento, Maria desce aos esgotos. Ali o Ladrón Antiguo Mayor (“Ladrão Antigo Ancião”) condena a Sombra de Maria a regressar ao outro inferno - o da cidade e da vida - e a vaguear eternamente pela cidade danificada pelas luzes de Buenos Aires, as suas próprias luzes. Então, perante o seu corpo moribundo, Ladrones y Madamas (“Ladrões e Meretrizes”) informam o Ladrón Mayor que o coração de Mariamorreu.

10. Contramilonga a la funeral
O Duende narra o funeral que as criaturas da noite fazem para a primeira morte de Maria.

11. Tangata del alba
Já enterrado o corpo de Maria, a sua sombra, Sombra Maria, cumpre a sentença do Ladrón Antiguo Mayor, deambulando pelas ruas da cidade e perdida do Duende.

12. Carta a los árboles y a las chimeneas
Sem saber em quem confiar e a quem contar a sua mágoa, a Sombra Maria escreve uma carta às árvores e às chaminés do bairro natal de Maria.

13. Aria de los analistas
Mais tarde, Sombra Maria chega ao circo dos psicanalistas, onde, incentivada pelo Primeiro Analista - que a confunde com a falecida Maria - faz a pirueta de arrancar-se memórias que não tem.

14. Romanza del Duende
Morta Maria, nos esgotos, e perdido o rasto de Sombra Maria, o Duende diz-lhe um tango, encostado no estanho de um bar mágico e absurdo. E envia-a com os paroquianos dessa taberna uma mensagem desesperada incitando-a a descobrir nas coisas e nos fatos mais simples, o mistério da conceção. As Tres marionetas Borrachas de Cosas (“Três marionetas Bêbadas de Coisas”) revelam que o Duende apaixonou-se pela Sombra Maria.

15. Allegro Tangabile
Os compinchas do Duende ganham as ruas de Buenos Aires em busca do germe de um filho para Sombra Maria.

16. Milonga de la Anunciación
Sombra Maria é atingida pela mensagem de amor do Duende e abraça-se à revelação da fertilidade.

17. Tangus Dei
Amanhece um domingo de Buenos Aires. O Duende e uma Voz daquele domingo notam algo sobrenatural na manhã. É que no mais alto de um prédio em construção está dando à luz Sombra Maria. Mas as Amasadoras de Tallarines (“Amassadoras de Esparguete”) e os Tres Albañiles Magos (“Três Pedreiros Magos”) gritam, assombradosos, que daquela mãe que por sombra é virgem, não nasceu um tipo de menino Jesus mas uma menina. É a própria Maria, já morta, que ressuscitou da sua própria Sombra pelo amor do Duende, ou é outra? Tudo está concluído ou apenas começa?

 

Libreto original em classicfest.pt

 

Maria de Buenos Aires: Ana Karina Rossi
Tenor: Rubén Peloni
El Duende: Daniel Bonilla-Torres
Bandoneón: Hector del Curto
Violino solo: Karen Gomyo
Violino II: David Castro-Balbi
Viola: Francisca Fins
Violoncelo: Kyril Zlotnikov
Contrabaixo: Tiago Pinto-Ribeiro
Flauta: Nuno Inácio
Piano: Rosa Maria Barrantes
Guitarra elétrica: Adrián Fioramonti
Percussão: Abel Cardoso e Pedro Carvalho

 

 

Auditório . m+6 .