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Igrejas e Mosteiros

Rota pelas igrejas de Bragança


A Diocese de Bragança-Miranda | Pastoral do Turismo e a Câmara Municipal de Bragança, numa estratégia concertada de promoção do turismo e valorização do património religioso, promoveram a identificação de uma rota pelas igrejas da cidade de Bragança.

rota das igrejas da cidade de Bragança


Catedral de Bragança

A Sé Catedral de Bragança foi projetada pelo arquiteto Vassalo Rosa e foi inaugurada em 2001, sendo a primeira catedral construída no século XXI. Trata-se de um espaço de 10 mil metros quadrados, com distribuição dos lugares em anfiteatro e desenho pentagonal da zona envolvente, o que distingue a arquitetura contemporânea do monumento. Consagrada a Nossa Senhora Rainha, toda ela reflete a região onde se insere, desde os materiais de construção, a vegetação dos jardins e mesmo a orientação das portas. No interior, o sacrário tem a forma geográfica do distrito e os traços de expressão do Cristo desenhado no painel cerâmico de Mário Silva, atrás do altar-mor, revelam-se nordestinos.


Igreja da Sé

Edifício construído em terrenos pertencentes ao Mosteiro Beneditino de Castro de Avelãs e destinado a convento de freiras Claras, acabaria por ser entregue aos padres da Companhia de Jesus, em 1562, onde, em instalações anexas, fundaram um colégio. Hoje recuperado para instalação do Centro Cultural Municipal, Biblioteca Municipal, Conservatório de Música e Espaço Memória da Cidade. Com a expulsão da Ordem (1759), aqui se estabeleceu (1766) o Seminário Diocesano que, nos fins de oitocentos, realiza importantes obras de ampliação.
A entrada principal da Igreja, localizada lateralmente, faz-se por um portal em que os valores renascentistas são interpretados livremente. Na construção que ampliou o templo, abre-se uma entrada secundária (um simples arco de volta perfeita); das janelas, a mais elaborada data de 1749; na face poente, aplicou-se um artístico e aparatoso janelão, datado de 1685 (para aqui removido no séc. XX). Em 1930/31, a Torre foi acrescentada com mais um piso, para instalar o relógio.
A igreja, de uma só nave, reflete as reformas feitas pelos Jesuítas (séculos XVII e XVIII) e as intervenções realizadas a partir de 1768, aquando da atribuição de funções catedralícias ao templo (em 1764, a sede da Diocese é transferida de Miranda para Bragança). O teto subdivide-se em três abóbadas com arcos de cruzaria e mísulas; o altar-mor apresenta talha dourada de estilo nacional; o coro balaustrado é do séc. XVIII. Merece visita atenta a Sacristia, do séc. XVII, pela beleza da decoração, pela riqueza das pinturas no teto apainelado (narrando a vida de Santo Inácio) e pelos quadros que ladeiam o arcaz. Também o Claustro merece especial atenção.

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança


Igreja de Nossa Senhora das Graças

Destinando-se o acolher as filhas e netos dos cidadãos de Bragança, a construção deste convento foi iniciada em 1569 e só em 1598 foi ocupado pelas freiras. Na guerra da Restauração, obras militares de defesa prejudicaram algumas das dependências conventuais, o que motivou indemnização régia. Com a extinção das ordens religiosas, passa para a propriedade do Estado. Após muitas vicissitudes (em 1877 esteve para se construir no espaço da cerca do convento a nova Sé Catedral), dá-se a destruição do que restava do edifício para utilizar os materiais na construção de um mercado - em parte da cerca - que não chegou a ser concretizada (por oposição do povo, em 1886). Na igreja conventual, o portal renascentista data de 1597. O teto da nave, é pintado e aproxima-se das cenografias da igreja de Sta. Maria.
Na capela-mor, com teto de berço apainelado, pode ver-se um excelente retábulo (provavelmente dos inícios de setecentos). O arco triunfal é revestido de talha de boa lavra. Venera-se a N. Sr.ª das Graças, padroeira da cidade.

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança.


Igreja da Misericórdia

A fundação da Santa Casa da Misericórdia de Bragança deve remontar ao ano de 1518 e “fundou-se em uma igreja que havia dedicada ao Espírito Santo" (que dava nome à rua). O templo foi reconstruído em 1539, para servir como igreja da Misericórdia. Nos fins do séc. XVII, o altar-mor seria dotado com um valioso retábulo maneirista (como figura central N. Sr.ª da Misericórdia). Numa capela anexa, pode admirar-se uma bela imagem do Senhor dos Passos, dos fins do séc. XVIII. O revestimento a azulejos da frontaria é da segunda metade do séc. XIX.

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança


Igreja de S.Bento

O convento, quase irreconhecível, foi fundado, em 1590, por uma dama nobre brigantina, nas casas que lhe pertenciam e de que subsiste a pedra de armas no exterior da Igreja. Destinado a filhas nobilitadas da cidade e da região, colocou-o sob a proteção de Sta. Escolástica, irmã do patriarca de S. Bento.
O acesso à Igreja (tratando-se de uma igreja de religiosas) faz-se por um portal lateral construído conforme os argumentos utilizados pela estética maneirista. O teto da nave, de madeira e abobadado, é obra setecentista que ostenta uma excelente pintura cenográfica, com arquitetura fingida e perspetivas acentuadas, da autoria de Manuel Caetano Fortuna. Na capela-mor, ocupada por um notável retábulo (1721) executado pelo figurino de estilo nacional, merece particular atenção o teto de alfarge (obra tardia de feição mudéjar).

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança.


Igreja e Convento de S. Francisco

Fundado no séc. XIII, para se estabelecer a ordem mendicante de S. Francisco, a lenda atribui a sua fundação ao próprio Santo. A Rainha Isabel, mulher de D. Dinis - que muito provavelmente aqui pousou em 1282 - teria favorecido o convento. Foi reedificado na primeira metade de seiscentos a partir de uma estrutura medieval de que subsistem elementos. A fachada maneirista data de 1635. Todo o convento sofreu novas intervenções ao longo de setecentos. Em 1800 a fachada da igreja foi renovada. Na 2.ª metade do séc. XIX, na zona conventual, depois de sujeita a obras de readaptação, instalou-se o Hospital Militar e, posteriormente, o Asilo Duque de Bragança. De entre os vários retábulos setecentistas, destaca-se o da capela de N. S. da Conceição em que são já visíveis algumas aplicações rocaille. Nesta capela evidencia-se a pintura cenográfica do teto. O retábulo do altar-mor é neoclássico, Recentemente fizeram-se obras de conservação na igreja. Estas intervenções deixaram visíveis aberturas na abside e pinturas murais no altar-mor: Nas pinturas destacam-se a representação da Sra. do Manto, temática que viria a identificar as Misericórdias (é provável que a sua execução se reporte a finais de quinhentos ou início da centúria seguinte) e motivos geométricos (de execução posterior).

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança.


Igreja de Santa Maria

Sem que haja provas documentais, a edificação poderá remontar aos primórdios do burgo (da sua primitiva traça nada foi detetado). Nos meados do século XIII sabemo-lo pelas inquirições afonsinas -, a freguesia de Sta. Maria, sediada muito provavelmente na igreja com o mesmo nome, contava-se entre as quatro do aglomerado. As alterações mais significativas ocorreram ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII: Erigido no terceiro quartel de quinhentos, o corpo do monumento apresenta um interior dividido em três naves por colunas poligonais (construídas em tijolo) que sustentam arcos de meio ponto, modelando o espaço desta igreja-salão; a capela-mor (deve datar de 1580) e a capela dos Figueiredos (dedicada a N. Sra. dos Prazeres) foi mandada executar, em 1585, por Pero de Figueiredo (alcaide-mor de Bragança); do séc. XVII, refira-se o retábulo dedicado a Sto. Estevão e a preciosa e expressiva imagem de Sta. Maria Madalena (altar-mor), obra seiscentista do mestre Gregório Fernandez ou Pedro de Mena, das oficinas de Valladolid; do séc. XVIII provêm muitos elementos decorativos e alguns acrescentos arquitetónicos, como o retábulo barroco da capela-mor e o teto da nave central que apresenta uma pintura com cenografias de belo efeito, numa linguagem que se aproxima da que foi expressa nas igrejas de S. Clara, S. Bento, S. Francisco (capela de N. Sra. da Conceição) e na capela do antigo Paço Episcopal (hoje Museu do Abade de Baçal); a frontaria, de "tipo retabular", é animada por um portal de feição barroca (1690-1715), em que desempenham papel de relevo as colunas pseudo-salomónicas e os enrolamentos dos frontões. Pela mão dos canteiros, a talha dos altares materializou-se em pedra, para solenizar a entrada do espaço santo.

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança.


Igreja de S.Vicente

Nos meados do séc. XIII já é referida a freguesia de S. Vicente. Pelas características da cabeceira, tem-se enquadrado o primitivo templo no estilo românico. Parece tratar-se do desejo, muitas vezes manifestado, de avelhentar as origens (quer do património, quer das instituições) num exercício de nobilitação e de dignificação. Os mesmos traços arquitetónicos (presentes também, por exemplo, em S. Francisco) levam, contudo, outros autores a incluí-lo no conjunto de obras góticas. Remodelações e ampliações posteriores - séculos XVI, XVII e XVIII - justificam-se pelo estado de degradação a que chegou a Igreja, pela sua localização numa praça multifuncional (utilizada, até, para correr touros) e por nela ter sede a confraria do Santo Cristo (a mais importante da cidade). Destaque-se, no exterior, o portal maneirista e, no interior, a capela do Santo Cristo (seiscentista) que mostra o recurso a soluções arcaizantes (lançamento de cobertura ogival). No período barroco a talha dourada (primeira metade do século XVIII) invade a capela-mor (arco triunfal, altar, teto), numa manifestação artística que visava fazer do templo uma “Domus Aurea”.
Exteriormente, destaca-se o chafariz que ostenta as armas reais (datado de 1746 e o único existente, na altura, no perímetro da cidade); o Passo (oitocentista), demonstra a importância da Semana Santa em Bragança; o Painel de azulejos (descerrado em 1929) comemorativo da proclamação, em 1808, do General Sepúlveda contra a invasão francesa.

Fonte: Câmara Municipal de Bragança (2004). Bragança Cidade – Andares da História. 2ª edição. Bragança.


Basílica de S.Cristo de Outeiro

Igreja classificada como monumento nacional em 1927. Trata-se de um templo do século XVII, cuja construção se associa à necessidade de afirmação do país enquanto nação independente de Espanha.
A sua origem foi um pequeno templo, votado ao abandono, até que a 26 de Abril de 1698 se terá dado um milagre: o Santo Cristo terá então suado sangue, conforme inscrição existente na igreja. Depressa se espalhou a notícia e a primeira pedra para um santuário foi lançada entre 1725 e 1739. Ao longo do século XVIII assumiu importância enquanto lugar de peregrinação.

O edifício é composto por templo com planta em cruz latina, sacristia e casa de arrumações. Destaca-se a sacristia com teto apainelado com três dezenas de caixotões pintados com cenas da vida de Cristo, executados em 1768 por Damião Bustamante oriundo de Valladolid, e paredes igualmente revestidas de pintura sobre tela.
A 8 de novembro de 2014 foi concedido o título de Basílica de S.Cristo de Outeiro à igreja - Santuário do Santo Cristo de Outeiro, tornando-a na única Basílica do país que está localizada numa aldeia.


Mosteiro de Castro de Avelãs

Edificado em época medieval, o antigo mosteiro beneditino de S. Salvador de Castro de Avelãs teve grande influência no povoamento da região, aparecendo na documentação do séc. XIII como uma instituição religiosa detentora de grande riqueza e mais poderosa de Trás-os-Montes durante o período medieval.
Extinto pelos meados do séc. XVI (1545-1546), a mesma bula que cria a Diocese de Miranda do Douro extingue este cenóbio e, consequentemente, o edifício entrou num processo de degradação e delapidação.
Do complexo monacal primitivo só resta hoje, de genuína arquitectura românica cluniacense, a cabeceia do templo, de remate semi-circular e revestimento em tijolo, com manifesta influência inspiradora da arte leonesa de Sahagun. A planta original incluiria três naves, apenas restando atualmente a central. No interior de um dos absidíolos, agora aberto ao exterior, abriga-se um arcaz tumular granítico.

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